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VERIDIANA E EU - Companhia de Teatro Íntimo

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HomeCRíTICAS:Nov 7, 2005
(23.3.2006)

Veridiana e Eu: o diamante surrealista do Fringe

Horário incômodo (23h), um teatro fora do hábito (Espaço 2), dia útil (terça-feira). Tudo contra Veridiana e eu, menos o público: havia um evidente pressentimento de que algo de bom sairia daquele palco.
E saiu: a surrealista trama escrita por Tarcísio Lara Puiati, cineasta gaúcho, cravou a Companhia de Teatro Íntimo como um diamante no vasto cestão do Fringe.
No pequeno palco, sete atores (são oito em cena) incorporam náufragos solidários não apenas pelo convívio numa ilha. Todos se apaixonaram por Veridiana, mas resta saber: “A sua Veridiana é a minha também?”. Livros, pratos preferidos, atitudes perante uma pasta de dente e outras tantas descrições tentam encerrar a questão.
Há, de saída, a falsa impressão de que a peça será um temeroso (ao público) exercício corporal. Desfeita esta aparência, surgem cochichos e um intenso diálogo deste equilibrado jogo de atores que dispensam a parede: no mesmo piso do palco, a platéia os cerca.
Não obcecada por respostas, Veridiana e eu tem um pé no cinema surrealista de Luís Buñuel (apesar do nome Veridiana, o que sobressai é o apego do grupo a O Anjo Exterminador, em especial) e uma insólita citação ao caçador de Branca de Neve e os Sete Anões. Mas nenhum destes sinais é necessário para compreender desta portadora de outras duas jóias: uma música de leve percussão e mínimo toque de cordas; e um clarão que a encerra selando a luminosidade vista em cena.
Para encerrar: a confecção de Veridiana e eu revela o quanto um processo sabidamente industrial é capaz de alimentar o artesanato. O ninho da Companhia de Teatro Íntimo é a oficina de atores da Rede Globo, laboratório comum a todo o elenco e ao diretor Renato Farias.

::Ayrton Baptista Jr.
CURITIBA INTERATIVA (PR) - ÚLTIMAS NOTÍCIAS

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A prova de que os Homens também amam em Veridiana e Eu

O universo masculino desmantelado. O homem visto como um ser passível a fraquezas. É disso que fala o texto de Tarcísio Lara Puiati, encenado pela Companhia de Teatro Íntimo (Rio de Janeiro/RJ).

Veridiana e Eu conta a história de sete homens que se encontram em uma ilha, isolados e sozinhos. Eles são sobreviventes de um naufrágio, mas não sobreviveram a um amor que não deu certo. E o improvável acontece, todos amaram a mesma mulher: Veridiana.

Eles vivem nas lembranças. Qual deles a amou mais, quem ela amara mais? Eles brigam entre si para ver quem ganha esta disputa, mas a realidade é que todos foram desprezados por ela.

Sete homens lindos em cena, sofrendo por amor. Os personagens se misturam, eles falam os textos juntos, repetem várias vezes as mesmas falas e se tornam um só, como se fossem sete pedaços de um único homem.

E assim como os personagens se fundem os atores também. Há harmonia na atuação, nenhum se sobressai aos outros. A interpretação é convincente. O trabalho corporal realizado demonstra leveza e fluidez nos movimentos, uma dança de corpos coreografada.

O público está ao redor daquela ilha, a ilha dos homens desprezados por Veridiana onde eles podem mostrar suas fragilidades, seus medos e, sem machismos, revelar seus sentimentos mais profundos.

O cenário é simples, os objetos em cena são apenas instrumentos de percussão com os quais os atores reproduzem sons, como o som de um navio que vem trazendo mais alguém para o destino daqueles que sofrem por amor. Mas a simplicidade do cenário dá lugar aos atores muito bem dirigidos por Renato Farias.

Toda a beleza da montagem pode ser vista até o final do Festival de Teatro de Curitiba.


Pâmela Matté
Redação do Portal Descubra Curitiba

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